23.3.06

Sou Filho de José, de Maria e irmão de Jesus - Sou JOÃO


Esses são meus pais...

Sentia uma pequena tristeza em não ter uma foto com os dois juntos.

Quando a minha mãe esteve aqui no começo do ano, pensei em pedir isso para eles, mas tive medo da reação. E um belo dia, ela mesmo disse, vou lá na casa do seu pai falar com ele e a foto surgiu.

Dá para ver pela cara do seu Batista, que ele detesta tirar fotos, né? Mas é uma pessoa extremamente maravilhosa. Já dona Mercês, adora ser fotografada.

Uma das coisas que agradeço a Deus é por ele ter me dado o prazer de encarnar como filho desses dois. Não tenho dúvida que eles são os melhores pais do mundo...
Não estou de forma alguma dizendo que eles não possuem defeitos ou que são santos. O que quero dizer que muito do que eu sou é resultado da criação que eles me deram.

Meu pai é um homem muito sério – até tomar uma cervejinha. Tenta sempre ver os dois lados de qualquer situação, tem uma paciência enorme – principalmente comigo – adora ler, é apaixonado pela história do Brasil e não consegue dizer não para quem realmente precisa dele.

A melhor coisa que aprendi com o meu pai, foi respeitar o próximo, seja ele quem for – policial, ladrão, viciados, homo, hetero ou bissexual, negro, branco, pobre, rico, católico, espírita, evangélico... – pois não temos direito de julgar o comportamento de ninguém.

E uma qualidade surpreendente que ele possui (e que eu ainda não tenho) é de perdoar e esquecer os males que lhe fazem. Ainda estou aprendendo, mas com a ajuda dele e de Deus eu chego lá.

Quanto a Mercês, ela não é uma mãe, é uma super-amiga que está sempre em contato da Liga da Justiça para saber como estou.

Minha mãe parece que nasceu para brincar, brinca o tempo todo, perturba Deus e o mundo. Faz molequeira de tudo. Acho tão belo a visão que ela tem da Terra, que as vezes eu acho que estou no paraíso.

Por causa desses dois que eu amo muito, me entrego muito e deixo tudo de ruim para trás.
Amo vocês
jp

Nova apresentação


O Primo Basílio está de volta!
A idéia original de escrever um blog ainda continua, mas o meu olhar pelas coisas que me rodeia mudou um pouco.
Passei a ser mais exigente em muitas coisas e um pouco mais tolerante para outras... O que talvez mude a minha maneira de escrever...
O ponto de vista também mudou. Antes, escrevia como estudante de jornalismo e hoje escrevo como João, sem medo de ficar em cima do muro, mas com o mesmo cuidado em não ofender ninguém.

27.1.06

O tempo parou em 31 de Dezembro


"Eu vi uma mulher preparando outra pessoa, O tempo parou para eu olhar para aquela barriga... O tempo não para, mas no entanto ele nunca envelhece..." Foi esta música, ou melhor, foi a interpretação desta que passou pela minha cabeça depois que ouvir Gustavo anunciar que estava esperando juntamente com Paty um bebê.

Na hora que fiquei sabendo disto, a minha mente fez uma retrospectiva "relâmpago" da minha vida com Patrícia.
- Vou levar minha cruz ao calvário - disse sr. Vivaldo
- Quem é a sua cruz meu avô? - perguntou Paty
- É todos vocês - respondeu sr. Vivaldo
- Eu também tenho minha cruz... - afirma Paty
- Quem é sua cruz minha filha? - indaga Vivaldo
- È Joãozinho...

Realmente eu fui e acho que ainda sou a cruz de Paty. Porque até quando ela voltou a morar em Salvador, vim "atrás" dela. Ela que me ensinou a comer com talheres (por conseqüência disso como com canhoto); me ensinou a escrever algumas palavras; me ensinou a gostar de MPB; de escrever; a pegar ônibus; a comprar o antigo passe escolar na Calçada; me ensinou também ser delicado, paciente e amoroso com as futuras namoradas que teria. A idéia de fazer vestibular para jornalismo foi dela....

Esta lista poderia se prolongar por mais uma, duas, três ou mais laudas, talvez não tenha nem fim, porque até hoje, continuo aprendendo com Paty. O carinho e a atenção que ela tem comigo é surpreendente. Ela se mete e intromete na minha vida mais que nossa mãe, Mercês. Paty defende-me o tempo todo.

É visível a raiva no seu olhar quando ela fica sabem que alguém me fez algo desagradável. Paty, ela não gosta de "Paty" com "y", prefere o "Pati" com "i". Mas Pati não existe mais, ela casou com Gustavo e passou a ser chamada de Papati.

Essa Papati não tem muito a ver com Pati. Ela amadureceu muito, tornou-se mais responsável, mostrou a todos o Tamanho da força de vontade que tem dentro dela, quando entrou na UFBA. E segundo Gustavo, ela agora ta até cozinhando direitinho.

A Pati que não queria que Mercês em setembro de 1978 me levasse do hospital de Brotas para casa; A Pati que me chamou de cruz; A Pati que batizou Lorena comigo; Pati com quem eu brinquei, briguei, discutir, beijei, abusei, perturbei, pirracei, gritei, ajudei, atrapalhei, chorei, me desabafei... tem agora quase trinta anos e vai ser mãe.

Mãe, MÃE, MAMÃE. Pati vai ser mãe, desculpem, PAPATI vai ser mãe, vai dá uma linda criança sadia, para Gustavo, vai dá o primeiro neto para Mercês, mais um neto para seu Zeca, o primeiro Bisneto para Dos Anjos e Vivaldo, vai me dá um sobrinho... Resumindo, Dona Inês vai ter mais um girassol no seu jardim que irá alegrar duas famílias.

Naquele momento, vi Daniel (o irmão de Gustavo) brincando com seus primos. Tinha crianças de varias idades. Daniel deve ter uns catorze anos, tinha mais duas garotinhas com cerca de dez, onze anos. Tinha também dois lindos bebês e um lindo casalzinho que me fez recordar a minha infância com a antiga Pati.

Aí minha cabeça começou a comparar a diferença de idade com as crianças de Dona Inês, com a diferença de idade dos meus tios para comigo. Não é que eu me lembre de onde eu estava quando tinha dez meses ou dez anos. Mas quando eu tinha dez meses, Toninho devia está na faculdade de odontologia e hoje eu estou com vinte e cinco anos e ele com quarenta e seis (ele formado e eu na faculdade).

Quando nasci Mercês tinha vinte e sete anos, hoje ela está com cinqüenta e dois, Papati hoje tem vinte e oito... Desta maneira comparei a minha idade agora, com a idade dos meus tios quando eu tinha a idade das crianças que ilustravam o reveillon da casa de D. Inês.

Aí me bateu uma vontade de chorar, primeiro por causa de ver Papati chorando, depois por ver os olhos da platéia feminina cheios de lagrimas e também, pela emoção de saber que vou ser tio (tio eu já sou, mas dessa vez vou ser tio do neto da minha mãe e serei um tio presente).

"O tempo não pára", cazuza disse isso há quase vinte anos e antes disso, Caetano afirmou que "o tempo não pára e, no entanto ele nunca envelhece". Verdadeira mentira. Não é possível ter pensado, repensado, meditado, imaginado tanta coisa em segundos.

Mas realmente o tempo não envelhece, nós é que envelhecemos. Qualquer um pode me chamar de lerdo, abestalhado ou qualquer outro adjetivo sinônimo a estes, mas só agora que vi que não somos mais crianças.

Agora temos que ter responsabilidade, construir nossas famílias, crescer intelectualmente e culturalmente, construir a base para sermos grandes pessoas, pessoas de bem. Eh! 2003 acabou, isso quer dizer que todos nós temos agora mais um ano para enfrentar, que estamos ficando mais velhos.

A idéia de envelhecer não me preocupar pelo fato de conciliar a velhice a morte, (porque na escola, aprendemos que o circulo da vida é nascer, crescer, procriar, envelhecer, morrer e durante toda a vida, se alimentar). Cientificamente isto está correto. Porém esquecemos de algo que está na nossa cara, podemos abandonar a vida terrestre a qualquer momento, é claro que queremos que isso seja mais tarde possível.

Mas quero lembrar que no Japão, vinte dois mil japoneses têm mais que cem anos de vida). Mas sim por ver que passamos por mais uma fase da vida e ter refletido e visto que desperdicei muito tempo. Poderia ter estudado mais, viajado mais, namorado mais, beijado mais... sabem aquela música dos Titãs? Epitáfio? É mais ou menos isso que eu quero fazer este ano.

Porque este ano eu vou ganhar um presentão de Gu e Papati, e quero ser o melhor tio para o Dom Pedro (eh, se César tem o Rei ARTUR, tem que tem IMPERADOR Dom Pedro) ou Laura, ou quem sabe, para os dois. Eu espero que esse bebê de Paty nasça com muita saúde, não importa de que sexo - mas Paty, Mercês e Deus sabem a minha preferência por menina. Sei que ser o melhor tio vai ser difícil, porque tenho na concorrência Aquino, Davi, César, Henrique, Murilo e Silvio.

Ainda bem que não concorro a melhor tia, pois disputar com Itana é impossível. A noite terminou com a imagem do velho Tanajura na minha mente. Não aquela imagem pintada na sala da casa de Dona Inês, mas a imagem real do seu olhar carinhoso e singelo, transmitindo paz, alegria e harmonia para todos os presentes daquele dia.

Aí, pude dormir em paz, porque pelo menos ele, eu tenho certeza que me entendeu...
jp

P.S (O original desse texto foi escrito no dia 31/12/03, ele foi corrigido 28/12/2005, parágrafos, personagens e algumas histórias foram excluída dele por causa da desatualização).

26.10.05

Nova profissão???

Tem um jornal local na Bahia, que tem parceria com uma agência de empregos. E eu como milhares de brasileiros – baianos e soteropolitanos – também procuro emprego e por isso, assisto ao jornal.

Na semana passada – não lembro que dia foi – eu parei para ver se havia algo ligado a minha área (comunicação social). Dentre vários empregos oferecidos, teve um que me chamou atenção: Lavador de pata de caranguejo.

A minha expressão verbal foi o famoso PQP! Fiquei surpreendido, em saber que havia essa profissão, será que ela é reconhecida no ministério do trabalho? É que a de fotógrafo ainda não é.

Quando comecei a ironizar com o meu irmão a profissão, o cara ainda fala que para preencher a vaga a pessoa tem ter o segundo grau completo e pelo menos um ano de carteira assinada.

Eu pensei? “Pôxa! Não posso nem me candidatar a vaga”. A minha carteira de trabalho ainda não tem um risco.

Mas a experiência é para quê mesmo? Será que é para evitar que o futuro empregado machuque o dedo e fique de baixa? Ou será que tem uma ciência para lavar o caranguejo sem que o crustáceo perca um pêlo?

Não tenho nada contra á nenhum tipo de profissão, eu sou contra as sacanagens que fazem com que precisa de emprego.

Bem que Octavio Mangabeira (aquele que foi governado da Bahia, que deu o nome a Fonte Nova) disse: “Pense no impossível! Acontece na Bahia”.

jp

22.2.04

Um poeta perdido no ônibus



Fim de um dia de aula, eu peguei o ônibus para casa como de rotina. Dois pontos depois daquele em que subi, entrou pela porta da frente um individuo bem arrumado, aparentando ter seus trinta anos e começou a falar.
A principio não lhe dei muita importância e distrair-me a olhar pela janela. Alguns tempo depois, reparei que este rapaz ainda estava ali, em pé, logo atrás do motorista e parei para prestar atenção no que ele dizia.
Ele falou que se chamava Jayme, que estava desempregado e antes que ele continuasse com a sua estória, voltei de novo a minha atenção para a janela.
Só que os meus ouvidos continuaram a ouvi-lo e então olhei de novo para o rapaz e fiquei curioso para saber o que ele tinha para nos oferecer.
Para minha surpresa ele nos ofereceu três magníficos poemas. Depois de declamar os poemas, eu pedir uma cópia a Jayme e ficamos conversando por um tempinho.
Ele contou-me que era estudante de filosofia e que tinha abandonado o curso por não ter condições financeiras para terminá-lo, mesmo fazendo o curso em uma faculdade pública. E agora vendia panfletos com os seus poemas nos ônibus e assim divulgava o seu trabalho.
Eu fiquei com um desses panfletos e agradeci-lhe por ter feito a minha volta para casa mais alegre. Ele autografou o seu trabalho, deixou o número do seu telefone de contato para shows recitais e dedicou-me um poema e desceu do ônibus na Avenida Centenário.
Quem tiver interessado nos shows recitais de Jayme Filho é só mandar uma mensagem pedindo-me o seu contato.

21.2.04

São Tomé de Paripe

A praia de São Tomé de Paripe fica á três quilômetros da última estação ferroviária do subúrbio.
Você pode ir pela Avenida Suburbana, ou pela estrada do CIA, tanto de carro como de ônibus. Quem preferir ir de transporte público, pode pegar os ônibus da viação Boa Viagem, que faz as linhas Pituba, Campo Grande, Lapa e Ribeira – Base naval de São Tomé.
A praia de São Tomé é uma das mais belas praias de Salvador. O verde impera ao seu redor e a bençoa-nos, está uma das mais velhas igrejas da Bahia.
Junto a praia está a Base Naval de São Tomé, área militar onde o ex- presidente da república Fernando Henrique Cardoso, passou algumas das suas férias. É nesta praia que o vice-prefeito de Salvador mora e á alguns metros da casa dele, está a casa onde D. Flor (personagem de Sonia Braga no filme d. Flor e seus dois maridos) passou a lua de mel.
Do outro lado do mar, defronte a São Tomé está a famosa Ilha de Maré. Quem tiver tempo, pegue o barco e faça a travessia de vinte minutos e deliciem-se com as paisagens que estas duas praias podem nos oferecer.

jp

20.2.04

Furtos e Roubos – Delegacia ou Feira?

Estava indo para São Tomé de Paripe, (bairro do Subúrbio de Salva- dor), num desses fins de semana com os meus avôs como normalmente fazemos.
Quem mora em Salvador e deseja ir para lá, pode ir pelo Retiro, pega a BR-324 e entra na estrada do CIA ou então vai pela avenida Afrânio Peixoto, mas conhecida com avenida Suburbana). Como moro na Cidade Baixa, a melhor opção é a última citada a cima.
Neste dia específico eu não estava ao volante e pudi ir prestando atenção no que acontecia no nosso caminho. A viagem seguia bem até chegarmos na Baixa do Fiscal (onde começa a avenida Suburbana).
Era um engarrafamento que eu não estava habituado e pensei que tivesse acontecido algum acidente grave. Porque além da lentidão no trânsito, quanto mais nos aproximávamos dos pilares do viaduto dos Motoristas, o número de pessoas aumentava.
Eu apreensivo olhava pela janela procurando os envolvidos no suposto acidente e vi de tudo, menos, pessoas ou veículos acidentados. DE TUDO MESMO, mulher e homem entrando em quartinhos, bêbado dormindo encostado ao porte, cachorro, gato, papagaio, galinha, melância, passarinho, teclado de computador, geladeira, fogão, sofá, peças de carro, prato, copos de cristal, manequins de lojas de roupas, equipamentos odontológicos, televisores, rádios de carros, cd´s de linkin park á canto gregoriano, vara de pescar, gaiolas, preservativos, tudo isso e muito mais sendo vendido na famosa Feira-do-Pau ou Feira-do-Rôlo.
O paradoxo desta cena toda que narrei, é que está feira funciona bem defronte a delegacia de furtos e roubo. Todo mundo que freqüenta tal feira sabe que os produtos ali comercializados, não têm notas ficais e possuem proveniências duvidosas. E por incrível que pareça, os vendedores não são cadastrados na prefeitura e é raro aparecer fiscalização no lugar.
Ah! A feira é ao ar livre, funciona todos os domingo, se algum de vocês forem comprar algo lá ou desejar visitá-la, tomem cuidado com os batedores de carteira e não se assustem se ouvirem tiros, isto é normal na Baixa do Fiscal.