17.8.06

Lençol de Zamir...


Esse lençol peguei emprestado de Zamir Mustafa, ou melhor, no blog de Zamir o Tuaregue.

Zamir é um cara hiper simpático de Manaus, que passou um tempinho aqui no começo do ano. Ele é amigo de Paty e Gustavo e tornou-se amigo de Laura, Mercês e meu também...

Voltando ao lençol, eles poderiam ser vendidos para iniciantes e ou estarem em camas de motéis para alegrar a “brincadeira”, o problema é que com a luz acesa, perde a graça.

Mas até agora estou tentando ligar as figuras. Quem souber montar esse quebra cabeça, me mande a resposta.


jp

11.8.06

Velho sonho resgatado


Hoje acordei com uma idéia na cabeça e quando parei para pensar nessa idéia meio louco, lembrei-me que era um sonho de criança e acho que agora poderei realizá-lo.


A idéia está aí na foto - tire as suas conclusões - mas o que eu quero mesmo é dizer que a nossa vida, só quem controla somos nós. Não espere opinião de ninguém, conselho dos outros, muito menos apoio de outrém.

Façam o seguinte, quando estiverem sozinhos, antes de dormir ou em qualquer outro lugar em que a paz esteja presente, peça para Deus orientação e ajuda, pois Ele é o único que pode te ajudar.

Quanto ao meu novo projeto, ele esperará até o fim desse ano, mas está tudo encaminhado, assim que tiver mais novidades eu volto a falar dele...

Fiquem com Deus...
jp

Novidades no Primo


Bem! Desde o dia 10/08 que o Primo Basílio é tem suas visitas monitoradas, ou seja, quem visitá-lo, deixará registrado dados do computador como a resolução de tela, versão do explorer, sistema operacional, como chegou até o Primo, sistema operacional entre outros.
O dispositivo está no fim da página, no final do primeiro post, os dados estão a disposição de todos que clicarem no ícone.
Esse serviço espião foi instalado por Gustavo. Esse mesmo mecanismo, foi responsável pela saída do Gravidinho da internet. Mas como Gustavo disse, Gravidinho tem a perder o Primo Basílio - ainda não.
Espero que meus ilustres visitantes não se sintam vigiados.
abraços
jp

29.7.06

Oh! Que saudade...


Recebi pela milésima vez, um e-mail que fala da década de oitenta, mas esse últimos que eu li, falava do vídeo game Atari.
O Atari original era caro, mas tinhámos o CCE Supergame que aceitava os mesmos cartuchos.
Para matar a saudade, procurei feito desesperado na net durante uma semana algum site que baixasse os jogos do Atari. Minha alegria quando encontrei foi tão grande, que nem salvei a página para os saudosistas como eu, jogarem também.
A diferença é estúpida, se compararmos com o Playstation. Essa comparação foi feita por Maurício de Souza quando Xaveco foi passar o fim de semana na casa do pai e viu um controle de um botão só.

Pois é, os gráficos são horrorosos, você não sabe se é um cachorro, uma pessoa, uma nave... mas tem jogos inesquecíveis como River Raid, Enduro, Sea Quest, Pac Man, Megamania, Frostibs entre outros.

Mas a minha maior alegria foi quando abrir sem querer um dos jogos e era o "Carnival". Esse jogo era a alegria da minha casa. Pois tinha um patinho que comia a bala da gente e Mercês batizou o jogo de “Jogo do Pato Fu...”.

Etá tempo bom! Mas graças a deus que ele não volta mais...
abraços

jp

13.7.06

Saudade de Cid Moreira? “Fala Sério!”

Quando eu era pequeno, tinha medo de muitas coisas, entre Freddy Krugger, Jason, Alien, jumbis, bicho papão, vampiros e outras coisas do gênero. Mas minha mãe sempre dizia que eles na existiam, que era ficção. Aí eu ficava com medo, mas acreditava em minha mãe.
Mas tinha uma trilha sonora que era arrepiante e até minha mãe chamava por Deus quando era tocava na tv. Essa musiquinha era conhecidíssima e ao contrario do filmes de terror, que só passavam depois das 22hs, ela poderia tocar a qualquer momento e vinha sempre acompanhada da voz sinistra de Cid Moreira dizendo: “O PLANTÃO DO JORNAL NACIONAL INFORMA”.
Lembro-me que teve uma época, que o que mais aparecia era incêndios. Mas o nome deste informativo deveria ser “O PLANTÃO DO OBITUÁRIO NACIONAL”, pois ele informava todo mundo que morria, como foi o caso Lauro Corona, Cazuza, Clara Nunes, Nara Leão, Pedro Gil, Zacarias, Yara Amaral, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Tancredo Neves, entre muitos outros que fazem muita falta.
Mas o saudosista aqui, sente falta de Cid Moreira no Plantão do JN, pois naquela época a mídia tinha mais respeito e carinho pelos artistas dessa terra e não só. Pois de imediato a programação mudava e como se já estivesse esperando o falecimento da pessoa, aí a gente via o quanto aquele cantor, aquela atriz, aquela pessoa foi importante para a construção de uma pátria recém saída da ditadura militar.
A copa do mundo, fez com que a morte de Bussunda passasse quase despercebida. Nem foi a emissora que ele trabalhava foi a primeira a noticiar. Se fosse no tempo de Cid Moreira, aposto que seria completamente diferente, teria mais carinho, mais sentimento.

Outra coisa que acontece, que me deixa muito triste é ver como cidadãos brasileiros viram estatísticas de obituário nos jornais. No tempo de Cid, esses policiais assassinados teriam uma materiazinha no JN falando da vida deles, mostrando que uma família ficou sem pai, uma mãe perdeu um filho, que a esposa perdeu um marido, que a vizinhança e amigos dessas pessoas estão sentindo uma das piores dores – A Perda.

O que podemos fazer para melhorar isso? Pode começar dizendo para aqueles que estão pertos o quanto você o ama. Será um bom começo.

jp&ea

10.7.06

Meu novo oftalmologista

Hoje acordei com o barulho irritante da marreta na parede perto do meu quarto. Quando levantei para ver o que estava se passando ás 6:30 da manhã, vi meu pai com mais três senhores dizen- do que a casa estava caindo e que tinha que fazer a reforma.
Até aí tudo bem, mas precisava começar logo as 6:30? É que o pedreiro responsável pela reforma tem uma religião que não pode trabalhar em determinados horários. Pra mim isso só existia no candomblé, mas tudo bem.

Esse senhor, olhou para mim e disse: “você está diferente, está faltando alguma coisa em você”. Eu já retado por ter sido acordado da pior maneira, respondi: “É que eu estou sem os óculos, eles quebraram”. Pra quê eu fui falar isso?

O homem passou o dia todo testando a minha visão, o que eu enxergava ou deixava de enxergar sem os óculos, pois segundo ele, meus óculos possuem muitos “degraus”.

Esse meu novo oftalmologista fez várias perguntas, desde o café da manhã até a hora que eu fui tomar banho as cinco da tarde, ainda pensei que ele fosse entrar no banheiro comigo. Ele pedia para eu pegar as ferramentas, para ver se eu estava vendo: “João, pegue aí a pá”. Pó! Não ver a pá é ser cego!

Aí para ele deixar de me pedir as coisas, passei a dizer que a parede estava torta, que a massa não estava boa... Ele viu que eu estava vendo demais os erros dele e me dispensou.

Pois é! Ele me dispensou, mas veio atrás de mim para fiscalizar meu trabalho no computador. Ele me perguntou se eu via alguma letra no teclado, eu disse que não, aí ele resolveu ver como é que eu iria digitar.

Quando ele viu que eu em nenhum momento eu estava olhando para o teclado, ele disse: ”Você é mentiroso, se faz de ceguinho e está vendo as letrinhas aí...”. Na hora que eu iria dá uma de Seu Climério e dizer que ceguinho é a “... que pariu” ele, meu pai apareceu e explicou essa “mágica” que viciados em teclados sabem fazer.

Pois é gente. Infelizmente, essa obra aqui em casa vai durar mais dois dias. Vamos ver o que temos para amanhã.
Abraços
jp

7.7.06

Falando de música

Estava visitando um dos blogs favoritos, o Memória Musical, do meu querido amigo, Cassiano Scherner – ele foi meu professor na faculdade e sem dúvida que foi o melhor, pois utilizou a amizade e não a autoridade para adquirir respeito, pena que aqui na Bahia, as pessoas só sabem ter medo e é por isso, que o Coronelismo ainda é a melhor forma de governo.

Bem! Voltando ao “Memória Musical”, passear por ele me faz lembrar a minha infância, mas ao contrário de Cassiano que é um “memorialista”, eu sou um “saudosista” (a diferença é que ele só se recorda e eu queria que o tempo voltasse), pois “Eu me lembro com saudade o tempo que passou, o tempo passa tão depressa mas em mim deixou, jovens tardes de domingo, tantas alegrias velhos tempos, belos dias...”.

Hoje, estava me deliciando com o texto “Um grupo musical que não come mosca – Parte I”, pois nomes como Marcos Valle, Ronaldo Bôscoli, Hyldon, Clara Nunes, Belchior, João Nogueira, Odair José, Raul Seixas, Erlon Chaves e Tim Maia são mais que familiares, tanto para meus ouvidos quanto para minha literatura.

O ponto mais emocionante para mim foi quando Cassiano sugere “escutar a música-tema do filme “Bye-Brasil” de Cacá Diegues ... cantada por Chico Buarque”. Além do sogro de Carlinhos Brown ser meu compositor preferido, “Bye, Bye Brasil”, toca a fundo todos aqueles que um dia teve quer sair do Brasil.

Outro dia, estava assistindo o “Boa noite Brasil” e em uma das brincadeiras com música, os participantes tinha que ouvir e reconhecer a voz de quem estava cantando. E somente Gretche reconheceu a voz de Dick Farney e Agostinho dos Santos, (que estão na trilha sonora da minissérie JK).

Hoje, eu fico triste em ver por todo canto – até na minha lista do msn – tudo quanto é banda que se diz “de pagode”. Pagode pra mim, quem faz é Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho,Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Originais do Samba, entres outros. Isso que aqui toca, utiliza quase sempre a mesma introdução, a mesma melodia e o mesmo esquema rimático de sete palavras tônicas e eu nem quero falar das letras. Que pobreza!

Tudo bem, gosto não se discute, mas existe gosto, mau gosto e desgosto. Qual banda de ‘pagode’ que tem mais publico do que Djavan? Qual deles tocarão algum dia no Olimpya de Paris como Originais do Samba?

Pra falar a verdade, quando escuto uma dessas bandas tocando, lembro-me imediatamente, da música de Adelino Moreira que ficou imortalizada na voz de Nelson Gonçalves: “seresta moderna não tem poesia... um gaiato cantando sem voz, um samba sem graça, desafinado que só vendo e as meninas de copo na mão fingindo entender mas na verdade, nada entendendo...”

Resta-me recordar “daquelas tardes de guitarras, sonhos e emoções” com a Blitz, de Evandro Mesquita, agradecer a Cassiano pelo seu blog e como Adelino, termino esse meu texto também amargurado por ver a música ser tratada assim.
jp

4.7.06

A vida de um espírita

Ser espírita não é fácil, principalmente aqui na miscelânea baiana.

Aqui todo mundo tem medo de quem é espírita. Evangélico, testemunhas de Jeóva, "candomblezeiro" e CIA LTDA.

Meu pai é católico, ele colocou uma faixa escrito: "SOU CATÓLICO", para evitar aquele terrível: "OH DE CASA", aos domingos de manhã. Mas depois fui ver, que esse "OH DE CASA" acabou não por ele ser católico, mas sim por ele ter um filho espírita.

Teve uma vizinha que um dia me perguntou qual era a minha religião. Normalmente eu respondo com uma frase de Gandhi - "Minha religião é um assunto particular que só diz respeito a mim e ao Criador" – Mas não poderia dar essa "dura" na criatura...

Aí disse que não tinha religião (“serviço ou culto a Deus, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino, que possui um sistema dogmático e moral além de veneração às coisas sagradas”), mas que era espírita – pois espiritismo (doutrina filosófica de conseqüências físicas e morais), só é religião no Brasil – pois não fazemos cultos, não temos ritos nem objetos de veneração como os católicos por exemplo.

A criatura me olhou com uma pena e disse: “oh meu filho, você uma pessoa tão educada e é espírita, sua mãe sabe disso?”. E sem entender ainda a ligação de educação com espiritismo, respondi que minha mãe também é espírita. A cara deixou de ser de pena para ser de decepção, ela só faltou dizer: “uma senhora tão distinta se prestar a uma coisa dessas”.

Tirando isso, vem os curiosos: “você fala com espírito?”. Falar eu até que falo, eles me responderem, são outros 500. Outra pergunta que me fazem muito. “EU TENHO ESPÍRITO?” e eu digo “Não, você não tem espírito, você tem um corpo”. E quando tenho que decifrar os sonhos??? “Sonhei com meu pai que morreu, ele me deu um recado, mas não me lembro, você sabe o que ele queria me dizer?”.

E quando morrem alguém aqui por perto? Depois da minha monografia, ganhei cadeira cativa nos ônibus. Aí me aparece um pedindo para que eu diga palavras bonitas como de Chico Xavier. Aparece outro perguntando: “Fulano (o defunto) ele tá onde agora, ele está aqui vendo o enterro dele? Quando eu morrer eu vou vim ver meu enterro”.

Mas o mais irritante é quando me aparece pessoas de outras religiões que vem diretamente a mim tentando me convencer com um discurso filha da mãe. “você sabia que nos centros espíritas tem muito viado e sapatona?”. E o que tem de mal em homossexualismo? “Você acha certo ter a pessoa que bebem e usam drogas nos centros?”. Eu não bebo nem fumo e acho errado, todos que fazem isso não importa onde.
Pois é! Quem tiver querendo saber um pouco mais sobre espiritismo, leia o “O evangelho, segundo o espiritismo” de Allan Kardec. Também aconselho a visitarem o site da Mansão do Caminho do meu querido Divaldo Franco.

3.7.06

Onde você estava quando o Brasil perdeu?


Essa é a pergunta que todo mundo faz. Eu estava na casa da minha irmã com ela e Laura (essa torcedorazinha aí). E sinceramente, já estava de saco cheio da “metidez” da torcida brasileira na Alemanha.

Mas meu coração já esperava o pior, pois tinha visto a Argentina e Espanha serem eliminadas da copa e sabia que coisa boa não estava por vir.

Quando o jogo terminou, fiquei pensando nas coisas boas que iriam me acontecer, como poder dormir sossegado, sem fogos para me acordar. Sem ter que ouvir a voz de Galvão Bueno sendo ecoada por todo canto pedindo a energia boa do Olodum (se tivéssemos energia boa para futebol por aqui, o Bahia e o Vitória não estaria na terceira divisão) e além disso, acabavam esses falsos feriados durantes os jogos.

Só fui sentir o sabor da derrota quando cheguei em casa. Vi as bandeirolas verde e amarela que enfeitavam as ruas sendo queimadas; vi comerciantes perguntando o que iriam fazer com tantas camisetas das cores nacionais; vi crianças chorando por verem, pela primeira, vez seus ídolos eliminados e idosos por temerem não ver mais o seu pais ser campeão; vi jovens soltando fogos com expressão de revolta no rosto; vi os empregados de bares, restaurantes, domésticos comentando que acabaram as folgas... Foram esses brasileiros que me fizeram chorar. Aí sim, doeu o coração...

Mas essa copa, me deixou muito feliz, pois vi que meu povo tem sentimento, vi o povo sabe exigir mudanças, sabe demonstrar insatisfação e pela primeira vez, não vi a cerveja fazer ninguém esquecer o que aconteceu. Já imaginou se conduzíssimos essa vontade de mudança para a política? Qual o político que aguentaria o que Parreira aguentou? Pois é, o nosso país seria outro e aí poderíamos ou poderemos cantar: “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...”.
jp

30.6.06

Não é força de vontade mas sim, cara-de-pau

Têm dias que eu gosto de ficar pensando no que eu faço, aí chego em casa e fico na cama lembrando as minhas "artes".
Às vezes, me assusto com a qualidade da madeira de que é feita o meu rosto - tenho quase certeza que é de massaranduba. Até meu pai quando chega do mercado, já traz além do meu chocolate e dos meus biscoitos de morango, óleo de peroba, invés do barbeador.
Adoraria falar aqui das coisas que me tacharam como cara-de-pau, mas algumas dessas “artes” (para não dizer quase todas) foram feitas em órgãos públicos a fim de realizar trabalhos da faculdade e isso pode me levar a responder processo e próximo ao Fórum Rui Barbosa não nenhum cemitério para pegar carona....
Eu era uma pessoa extremamente tímida, não tinha coragem de abrir a boca pra nada. Até que fui parar em jornalismo e não dá para ser jornalista, sem ser cara de pau. Mas ser cara-de-pau, faz com que a se abram muitas portas para a gente, pois se ficarmos em casa enclausurados, ninguém vai saber que a gente precisa de emprego, trabalho, estudo, namorada...
Em entrevista de emprego por exemplo, quando vou fazer alguma, procuro imaginar tudo quanto é coisas que me possam perguntar, para que eu possa responder da maneira mais natural possível.
Teve uma vez, que fui fazer uma entrevista e o “psico-sei-lá-que-zorra” começou a perguntar quais os programas de computador eu tinha domínio. Na época, eu mal sabia abrir o Word, mas pensei rápido: “poxa vou perder o emprego porque não sei trabalhar com os programas do Adobe? Não!”. Então respondi: “Eu sei trabalhar com Page Maker e Photoshop”.
Nunca tinha visto nenhum dos dois, mas tinha sido aprovado para a próxima fase da seleção e tinha que mostrar que realmente sabia lidar com os programas. Meu amigo, foi um desespero para conseguir pegar esses dois programas, para instalar no meu computador e começar a abelhudar para ver como funcionavam. No fim, fui selecionado para trabalhar na empresa, mas eles pagavam menos que um salário mínimo, aí não tem “espírita” que agüente.
Mas “o segredo do meu sucesso”, está em ouvir o que os mais velho falam depois daquela conhecidíssima frase: “se eu tivesse a sua idade hoje...”. Aí, eu reflito e na maioria das vezes eu meto a cara. Pois, com um pouquinho de humildade e um sorriso no rosto a gente vai longe.
abraços
jp

23.6.06

Jesus tinha terreiro na Roma Negra


Hoje acordei com um recado de Ed Bala, dizendo que a banda dele tocará no Terreiro de Jesus. Fiquei pensando: “o único terreiro que conheço é do Ala Ketu, o de Jesus não sei onde fica não”.
Não sei se foi por causa do sono ou dou calmante que tomei ontem, que a ficha demorou pra cair. Aí como sempre, cair na risada. E pensei na frase de Octavio Mangabeira (governador da Bahia de 1946-50): “Pense no impossível... acontece na Bahia”. Pois é! Aqui na Bahia, ou melhor, na capital baiana – A Roma Negra – até Jesus tem terreiro.
O Terreiro de Jesus, fica colado ao Pelourinho e é nesse terreiro ("espaço de terra livre, grande e aplainado"), que fica a Catedral Basílica de Salvador e as Igrejas de São Francisco, São Domingos e (salvo erro) a de Nossa Senhora do Carmo.
O mais interessante, é que nunca vi nenhum protestante, católico, espírita ou evangélico reclamar do nome, pelo contrário, no carnaval vai todo mundo para lá com um bloco, uns pedindo paz, outros pedindo para acabar com essa festa profana e outros como eu, que adora ouvir os atabaques e ver a “negrada que faz o astral da avenida”, a desculpa é diferente, mas está todo mundo lá.
Se alguém ainda se lembra da frase de Octavio Mangabeira, que tem mais de 5 décadas, provavelmente se lembra de que há 5 meses, o nosso querido Padre Pinto rodou a baiana.
O Terreiro de Jesus é mais antigo que o Padre Pinto, se Jesus pode ter terreiro, por que o Padre Pinto não pode ter?Se bem que o caso do Padre Pinto é diferente. Leandro Colling, no Olho Queer ao citar, Antonio Risério, afirma que “a novidade do padre Pinto, portanto, esteve em juntar as duas coisas, veadagem e candomblé, dentro da igreja, em performance explicitamente carnavalesca, numa sociedade midiática. Sucesso imediato, explosivo e total. Daí a campanha atual dos internautas baianos: ‘Padre Pinto Para Papa’.”.
Sei que aqui na Bahia existe uma enorme miscelânea religiosa. Miscelânea mesmo, não é sincretismos não. Pois no Cadomblé, Jesus é Oxalá, mas se divide em Oxalufã e Oxoguian e esses dois existiram na África (não sei a época, mas sei que existiram mesmo). Então não podem ser a mesma pessoa com nome diferente. Se bem que pode sim, aí a gente já coloca a doutrina de Allan Kardec – espiritismo – no meio, para dizer que um é a encarnação do outro.
E nesse balaio de gato, ainda temos os costumes de um na religião do outro. O que tem de católicos que não acreditam em ressurreição mas sim em reencarnação, não é brincadeira. Ou então, o cara fala que é evangélico e quando diz “Deus é mais” faz o ato tipicamente do Candomblé – BATE NA MADEIRA TRÊS VEZES. Sem falar dos pastores que colocam um copo d’água na mesa, que nem nos centros espíritas. E quem é que aqui na Bahia (que não tenha problemas com azeite de dendê) resiste á um bom acarajé? Comida genuinamente africana.
Com isso tudo eu já nem sei quem é que eu sou. Quem souber, deixe um comentário, que eu ficarei eternamente grato.
jp

21.6.06

Monografia, carona e enterro

Meu queridís- simo amigo Gustavo pe- diu para con- tar o que fiz para econo- mizar dinheiro de transpor-te, para fa- zer a mono.
Todo mundo sabe, que o tema da minha monografia foi a História do Fotojornalismo em Salvador de 1930 á 2000. Além de entrevistar fotógrafos renomados na capital baiana, tive que ir a bibliotecas, no instituto histórico e no Arquivo Público da Bahia.

As bibliotecas e o Instituto Histórico ficam a caminho da faculdade, quase todos os ônibus que passam na porta da casa da minha avó passam por lá. O problema foi o Arquivo Público da Bahia – APB.

Só sei ir para o APB de carro – dez reais de gasolina é de lenha o bolso de qualquer estudante – e não tem ônibus direto da casa da minha avó ou da casa do meu pai que passe perto de lá. Tinha que andar quase dois quilômetros e pegar dois ônibus.

Chegava lá suado, cansado e para piorar a minha situação, perdi o meu cartão de meia passagem, eu tinha que pagar inteira.

O APB fica localizado no Bairro da Baixa de Quintas, na antiga residência do padre Antônio Vieira. Esse bairro é conhecido por ser onde Acelino Popó nasceu e á 300 metros de lá, fica uma espécie de complexos de cemitérios, cinco no total (Ordem Terceira de São Francisco, Ordem Terceira do Carmo, Quinta de São Lázaro; Cemitério Israelita e Santíssimo Sacramento).

Uma bela segunda-feira, eu fui para casa de um amigo – Bob Grilo – que mora na rua atrás da minha, para desmarcamos o que iríamos fazer naquela manhã, porque tinha que ir para o APB.

Quando cheguei na rua dele tinha gente como a zorra, incluindo ele. Eu perguntei: “O que houve Bob?”. E ele respondeu: “Um vizinho nosso que morreu e estamos esperando o ônibus para levar a gente para o enterro”.

Naquela hora passou um flash back na minha cabeça (vou andar uns 1200 metros até a Baixa do Fiscal, atravessar a linha do trem, pegar dois ônibus pra ir, mais dois pra voltar, vou gastar seis reais, vou ficar no ponto esperando, vou chegar suado...).

Eu pensei: “sabe de uma? Eu vou é no buzu do enterro, (o assento é acolchoado e ainda tem ar condincionado), falo com o pessoal lá no cemitério, desço correndo para o APB, faço que tenho que fazer e volto para pegar a extrema unção”.

Então eu fui! Quando cheguei lá, não sabia nem quem tinha morrido. Falei com um, falei com outro, vi o pessoal chorando dizendo que o finado era uma boa pessoa e sair para tomar (ou comer) água. Eu fiz o mesmo – vou ali beber água e volto.

Beber água nada! Desci correndo a ladeira e fui no APB fazer as minhas pesquisas e tirar as fotografias. Só que a primeira vez demorou um pouco, pois tive que pedir autorização da diretora de lá.

Mas Deus - como sempre - me ajudou e nesse dia o funeral atrasou como quê, só tinha um padre para encomendar as almas ele ainda estava com dor de barriga. Então eu fiz o que tinha que fazer e ainda deu tempo para voltar e ajudar a carrega o caixão (pesado como a porra) debaixo de chuva – era o mínimo que podia fazer pela carona que peguei.

Na segunda-feira seguinte, outro enterro. Pôxa! Eu não pedi para ninguém morrer, eu pedi que Deus me desse outra boleia, pegar carona não é pecado. Foram seis enterros. Não conhecia nem de nome nenhum dos desencarnados, mas o pessoal conhecia o meu pai e eu dizia: “meu pai não pôde vim e me mandou no lugar dele”.

Só sei que economizei 36 reais e a minha monografia foi aprovada.

Um abração
jp

19.6.06

Elogios ou críticas???

Ultimamente tenho sido adjetivado – pois não sei se estão me elogiando ou esculhambando – com palavras pouco simpáticas como: inconseqüente (“Contrário ao que naturalmente se devia seguir”) e mercenário (“individuo que trabalha por soldo ajustado ou somente por interesse no pagamento) passional (“Motivado pela paixão, especialmente amorosa”), autoritário (que se impõe pela autoridade) e outras mais.

A vontade que tive, foi de perguntar se essas pessoas sabem o que realmente estão dizendo, mas fiquei com medo de ser chamado de prepotente. É que minha dúvida, é se essas palavras que me foram dirigidas são elogios ou críticas.

Se soubéssemos o que naturalmente se deve seguir o mundo seria outra, mas
Vinicius de Moraes disse que “ninguém vai me dizer que tem” que seguir “sem provar muito bem provado, com certidão passada em cartório do céu e assinado embaixo: Deus. E com firma reconhecida”.

Se no mundo não houvesse inconseqüentes, estaríamos andando de carroça e ainda não teríamos chegado na era do rádio.

Me responda aí? Quem nesse mundo trabalha de graça? Todo mundo que eu conheço não move uma palha sem saber o que vão ganhar com isso. E eu, que trabalho como voluntário em ONG que sou mercenário. Mas eu ainda quero ser mercenário, pois uma pessoa que ganha pelo seu trabalho é uma pessoa valorizada.

Passional e autoritário, um eu já sou e outro eu quero ser. Pois tudo o que eu faço é por amor, para não correr o risco de ficar esperando algo em troca. E ainda não sou autoridade (pessoa tida como mestre em um assunto) para ser autoritário.

Talvez, eu esteja sendo inconseqüente, por levar estas palavras para o lado mais simpático. Mas isso eu aprendi com uma história que Divaldo Franco contou.
Ele contou que quando era mais novo, um grupo de rapazes perto do trabalho dele gostava de chamar as mulheres que passavam por lá de sereias, tainhas, salmão e outros peixes bonitos e saborosos. Até que uma mocinha com aspecto menos bonito, passou por eles para saber o que eles acharam dela. Quando ela passou por eles foi chamada de bacalhau. Ela voltou feliz da vida com a comparação. Divaldo então perguntou: “eles te chamaram de bacalhau e você fica contente?” . A moça respondeu : “Bacalhau também não é peixe?”.

As palavras possuem forças, que levantam ou derrubam qualquer um, mas tudo depende de como a gente absorve cada uma delas.

Ah! E obrigado pelos elogios.

jp

23.3.06

Sou Filho de José, de Maria e irmão de Jesus - Sou JOÃO


Esses são meus pais...

Sentia uma pequena tristeza em não ter uma foto com os dois juntos.

Quando a minha mãe esteve aqui no começo do ano, pensei em pedir isso para eles, mas tive medo da reação. E um belo dia, ela mesmo disse, vou lá na casa do seu pai falar com ele e a foto surgiu.

Dá para ver pela cara do seu Batista, que ele detesta tirar fotos, né? Mas é uma pessoa extremamente maravilhosa. Já dona Mercês, adora ser fotografada.

Uma das coisas que agradeço a Deus é por ele ter me dado o prazer de encarnar como filho desses dois. Não tenho dúvida que eles são os melhores pais do mundo...
Não estou de forma alguma dizendo que eles não possuem defeitos ou que são santos. O que quero dizer que muito do que eu sou é resultado da criação que eles me deram.

Meu pai é um homem muito sério – até tomar uma cervejinha. Tenta sempre ver os dois lados de qualquer situação, tem uma paciência enorme – principalmente comigo – adora ler, é apaixonado pela história do Brasil e não consegue dizer não para quem realmente precisa dele.

A melhor coisa que aprendi com o meu pai, foi respeitar o próximo, seja ele quem for – policial, ladrão, viciados, homo, hetero ou bissexual, negro, branco, pobre, rico, católico, espírita, evangélico... – pois não temos direito de julgar o comportamento de ninguém.

E uma qualidade surpreendente que ele possui (e que eu ainda não tenho) é de perdoar e esquecer os males que lhe fazem. Ainda estou aprendendo, mas com a ajuda dele e de Deus eu chego lá.

Quanto a Mercês, ela não é uma mãe, é uma super-amiga que está sempre em contato da Liga da Justiça para saber como estou.

Minha mãe parece que nasceu para brincar, brinca o tempo todo, perturba Deus e o mundo. Faz molequeira de tudo. Acho tão belo a visão que ela tem da Terra, que as vezes eu acho que estou no paraíso.

Por causa desses dois que eu amo muito, me entrego muito e deixo tudo de ruim para trás.
Amo vocês
jp

Nova apresentação


O Primo Basílio está de volta!
A idéia original de escrever um blog ainda continua, mas o meu olhar pelas coisas que me rodeia mudou um pouco.
Passei a ser mais exigente em muitas coisas e um pouco mais tolerante para outras... O que talvez mude a minha maneira de escrever...
O ponto de vista também mudou. Antes, escrevia como estudante de jornalismo e hoje escrevo como João, sem medo de ficar em cima do muro, mas com o mesmo cuidado em não ofender ninguém.

27.1.06

O tempo parou em 31 de Dezembro


"Eu vi uma mulher preparando outra pessoa, O tempo parou para eu olhar para aquela barriga... O tempo não para, mas no entanto ele nunca envelhece..." Foi esta música, ou melhor, foi a interpretação desta que passou pela minha cabeça depois que ouvir Gustavo anunciar que estava esperando juntamente com Paty um bebê.

Na hora que fiquei sabendo disto, a minha mente fez uma retrospectiva "relâmpago" da minha vida com Patrícia.
- Vou levar minha cruz ao calvário - disse sr. Vivaldo
- Quem é a sua cruz meu avô? - perguntou Paty
- É todos vocês - respondeu sr. Vivaldo
- Eu também tenho minha cruz... - afirma Paty
- Quem é sua cruz minha filha? - indaga Vivaldo
- È Joãozinho...

Realmente eu fui e acho que ainda sou a cruz de Paty. Porque até quando ela voltou a morar em Salvador, vim "atrás" dela. Ela que me ensinou a comer com talheres (por conseqüência disso como com canhoto); me ensinou a escrever algumas palavras; me ensinou a gostar de MPB; de escrever; a pegar ônibus; a comprar o antigo passe escolar na Calçada; me ensinou também ser delicado, paciente e amoroso com as futuras namoradas que teria. A idéia de fazer vestibular para jornalismo foi dela....

Esta lista poderia se prolongar por mais uma, duas, três ou mais laudas, talvez não tenha nem fim, porque até hoje, continuo aprendendo com Paty. O carinho e a atenção que ela tem comigo é surpreendente. Ela se mete e intromete na minha vida mais que nossa mãe, Mercês. Paty defende-me o tempo todo.

É visível a raiva no seu olhar quando ela fica sabem que alguém me fez algo desagradável. Paty, ela não gosta de "Paty" com "y", prefere o "Pati" com "i". Mas Pati não existe mais, ela casou com Gustavo e passou a ser chamada de Papati.

Essa Papati não tem muito a ver com Pati. Ela amadureceu muito, tornou-se mais responsável, mostrou a todos o Tamanho da força de vontade que tem dentro dela, quando entrou na UFBA. E segundo Gustavo, ela agora ta até cozinhando direitinho.

A Pati que não queria que Mercês em setembro de 1978 me levasse do hospital de Brotas para casa; A Pati que me chamou de cruz; A Pati que batizou Lorena comigo; Pati com quem eu brinquei, briguei, discutir, beijei, abusei, perturbei, pirracei, gritei, ajudei, atrapalhei, chorei, me desabafei... tem agora quase trinta anos e vai ser mãe.

Mãe, MÃE, MAMÃE. Pati vai ser mãe, desculpem, PAPATI vai ser mãe, vai dá uma linda criança sadia, para Gustavo, vai dá o primeiro neto para Mercês, mais um neto para seu Zeca, o primeiro Bisneto para Dos Anjos e Vivaldo, vai me dá um sobrinho... Resumindo, Dona Inês vai ter mais um girassol no seu jardim que irá alegrar duas famílias.

Naquele momento, vi Daniel (o irmão de Gustavo) brincando com seus primos. Tinha crianças de varias idades. Daniel deve ter uns catorze anos, tinha mais duas garotinhas com cerca de dez, onze anos. Tinha também dois lindos bebês e um lindo casalzinho que me fez recordar a minha infância com a antiga Pati.

Aí minha cabeça começou a comparar a diferença de idade com as crianças de Dona Inês, com a diferença de idade dos meus tios para comigo. Não é que eu me lembre de onde eu estava quando tinha dez meses ou dez anos. Mas quando eu tinha dez meses, Toninho devia está na faculdade de odontologia e hoje eu estou com vinte e cinco anos e ele com quarenta e seis (ele formado e eu na faculdade).

Quando nasci Mercês tinha vinte e sete anos, hoje ela está com cinqüenta e dois, Papati hoje tem vinte e oito... Desta maneira comparei a minha idade agora, com a idade dos meus tios quando eu tinha a idade das crianças que ilustravam o reveillon da casa de D. Inês.

Aí me bateu uma vontade de chorar, primeiro por causa de ver Papati chorando, depois por ver os olhos da platéia feminina cheios de lagrimas e também, pela emoção de saber que vou ser tio (tio eu já sou, mas dessa vez vou ser tio do neto da minha mãe e serei um tio presente).

"O tempo não pára", cazuza disse isso há quase vinte anos e antes disso, Caetano afirmou que "o tempo não pára e, no entanto ele nunca envelhece". Verdadeira mentira. Não é possível ter pensado, repensado, meditado, imaginado tanta coisa em segundos.

Mas realmente o tempo não envelhece, nós é que envelhecemos. Qualquer um pode me chamar de lerdo, abestalhado ou qualquer outro adjetivo sinônimo a estes, mas só agora que vi que não somos mais crianças.

Agora temos que ter responsabilidade, construir nossas famílias, crescer intelectualmente e culturalmente, construir a base para sermos grandes pessoas, pessoas de bem. Eh! 2003 acabou, isso quer dizer que todos nós temos agora mais um ano para enfrentar, que estamos ficando mais velhos.

A idéia de envelhecer não me preocupar pelo fato de conciliar a velhice a morte, (porque na escola, aprendemos que o circulo da vida é nascer, crescer, procriar, envelhecer, morrer e durante toda a vida, se alimentar). Cientificamente isto está correto. Porém esquecemos de algo que está na nossa cara, podemos abandonar a vida terrestre a qualquer momento, é claro que queremos que isso seja mais tarde possível.

Mas quero lembrar que no Japão, vinte dois mil japoneses têm mais que cem anos de vida). Mas sim por ver que passamos por mais uma fase da vida e ter refletido e visto que desperdicei muito tempo. Poderia ter estudado mais, viajado mais, namorado mais, beijado mais... sabem aquela música dos Titãs? Epitáfio? É mais ou menos isso que eu quero fazer este ano.

Porque este ano eu vou ganhar um presentão de Gu e Papati, e quero ser o melhor tio para o Dom Pedro (eh, se César tem o Rei ARTUR, tem que tem IMPERADOR Dom Pedro) ou Laura, ou quem sabe, para os dois. Eu espero que esse bebê de Paty nasça com muita saúde, não importa de que sexo - mas Paty, Mercês e Deus sabem a minha preferência por menina. Sei que ser o melhor tio vai ser difícil, porque tenho na concorrência Aquino, Davi, César, Henrique, Murilo e Silvio.

Ainda bem que não concorro a melhor tia, pois disputar com Itana é impossível. A noite terminou com a imagem do velho Tanajura na minha mente. Não aquela imagem pintada na sala da casa de Dona Inês, mas a imagem real do seu olhar carinhoso e singelo, transmitindo paz, alegria e harmonia para todos os presentes daquele dia.

Aí, pude dormir em paz, porque pelo menos ele, eu tenho certeza que me entendeu...
jp

P.S (O original desse texto foi escrito no dia 31/12/03, ele foi corrigido 28/12/2005, parágrafos, personagens e algumas histórias foram excluída dele por causa da desatualização).

26.10.05

Nova profissão???

Tem um jornal local na Bahia, que tem parceria com uma agência de empregos. E eu como milhares de brasileiros – baianos e soteropolitanos – também procuro emprego e por isso, assisto ao jornal.

Na semana passada – não lembro que dia foi – eu parei para ver se havia algo ligado a minha área (comunicação social). Dentre vários empregos oferecidos, teve um que me chamou atenção: Lavador de pata de caranguejo.

A minha expressão verbal foi o famoso PQP! Fiquei surpreendido, em saber que havia essa profissão, será que ela é reconhecida no ministério do trabalho? É que a de fotógrafo ainda não é.

Quando comecei a ironizar com o meu irmão a profissão, o cara ainda fala que para preencher a vaga a pessoa tem ter o segundo grau completo e pelo menos um ano de carteira assinada.

Eu pensei? “Pôxa! Não posso nem me candidatar a vaga”. A minha carteira de trabalho ainda não tem um risco.

Mas a experiência é para quê mesmo? Será que é para evitar que o futuro empregado machuque o dedo e fique de baixa? Ou será que tem uma ciência para lavar o caranguejo sem que o crustáceo perca um pêlo?

Não tenho nada contra á nenhum tipo de profissão, eu sou contra as sacanagens que fazem com que precisa de emprego.

Bem que Octavio Mangabeira (aquele que foi governado da Bahia, que deu o nome a Fonte Nova) disse: “Pense no impossível! Acontece na Bahia”.

jp

22.2.04

Um poeta perdido no ônibus



Fim de um dia de aula, eu peguei o ônibus para casa como de rotina. Dois pontos depois daquele em que subi, entrou pela porta da frente um individuo bem arrumado, aparentando ter seus trinta anos e começou a falar.
A principio não lhe dei muita importância e distrair-me a olhar pela janela. Alguns tempo depois, reparei que este rapaz ainda estava ali, em pé, logo atrás do motorista e parei para prestar atenção no que ele dizia.
Ele falou que se chamava Jayme, que estava desempregado e antes que ele continuasse com a sua estória, voltei de novo a minha atenção para a janela.
Só que os meus ouvidos continuaram a ouvi-lo e então olhei de novo para o rapaz e fiquei curioso para saber o que ele tinha para nos oferecer.
Para minha surpresa ele nos ofereceu três magníficos poemas. Depois de declamar os poemas, eu pedir uma cópia a Jayme e ficamos conversando por um tempinho.
Ele contou-me que era estudante de filosofia e que tinha abandonado o curso por não ter condições financeiras para terminá-lo, mesmo fazendo o curso em uma faculdade pública. E agora vendia panfletos com os seus poemas nos ônibus e assim divulgava o seu trabalho.
Eu fiquei com um desses panfletos e agradeci-lhe por ter feito a minha volta para casa mais alegre. Ele autografou o seu trabalho, deixou o número do seu telefone de contato para shows recitais e dedicou-me um poema e desceu do ônibus na Avenida Centenário.
Quem tiver interessado nos shows recitais de Jayme Filho é só mandar uma mensagem pedindo-me o seu contato.

21.2.04

São Tomé de Paripe

A praia de São Tomé de Paripe fica á três quilômetros da última estação ferroviária do subúrbio.
Você pode ir pela Avenida Suburbana, ou pela estrada do CIA, tanto de carro como de ônibus. Quem preferir ir de transporte público, pode pegar os ônibus da viação Boa Viagem, que faz as linhas Pituba, Campo Grande, Lapa e Ribeira – Base naval de São Tomé.
A praia de São Tomé é uma das mais belas praias de Salvador. O verde impera ao seu redor e a bençoa-nos, está uma das mais velhas igrejas da Bahia.
Junto a praia está a Base Naval de São Tomé, área militar onde o ex- presidente da república Fernando Henrique Cardoso, passou algumas das suas férias. É nesta praia que o vice-prefeito de Salvador mora e á alguns metros da casa dele, está a casa onde D. Flor (personagem de Sonia Braga no filme d. Flor e seus dois maridos) passou a lua de mel.
Do outro lado do mar, defronte a São Tomé está a famosa Ilha de Maré. Quem tiver tempo, pegue o barco e faça a travessia de vinte minutos e deliciem-se com as paisagens que estas duas praias podem nos oferecer.

jp

20.2.04

Furtos e Roubos – Delegacia ou Feira?

Estava indo para São Tomé de Paripe, (bairro do Subúrbio de Salva- dor), num desses fins de semana com os meus avôs como normalmente fazemos.
Quem mora em Salvador e deseja ir para lá, pode ir pelo Retiro, pega a BR-324 e entra na estrada do CIA ou então vai pela avenida Afrânio Peixoto, mas conhecida com avenida Suburbana). Como moro na Cidade Baixa, a melhor opção é a última citada a cima.
Neste dia específico eu não estava ao volante e pudi ir prestando atenção no que acontecia no nosso caminho. A viagem seguia bem até chegarmos na Baixa do Fiscal (onde começa a avenida Suburbana).
Era um engarrafamento que eu não estava habituado e pensei que tivesse acontecido algum acidente grave. Porque além da lentidão no trânsito, quanto mais nos aproximávamos dos pilares do viaduto dos Motoristas, o número de pessoas aumentava.
Eu apreensivo olhava pela janela procurando os envolvidos no suposto acidente e vi de tudo, menos, pessoas ou veículos acidentados. DE TUDO MESMO, mulher e homem entrando em quartinhos, bêbado dormindo encostado ao porte, cachorro, gato, papagaio, galinha, melância, passarinho, teclado de computador, geladeira, fogão, sofá, peças de carro, prato, copos de cristal, manequins de lojas de roupas, equipamentos odontológicos, televisores, rádios de carros, cd´s de linkin park á canto gregoriano, vara de pescar, gaiolas, preservativos, tudo isso e muito mais sendo vendido na famosa Feira-do-Pau ou Feira-do-Rôlo.
O paradoxo desta cena toda que narrei, é que está feira funciona bem defronte a delegacia de furtos e roubo. Todo mundo que freqüenta tal feira sabe que os produtos ali comercializados, não têm notas ficais e possuem proveniências duvidosas. E por incrível que pareça, os vendedores não são cadastrados na prefeitura e é raro aparecer fiscalização no lugar.
Ah! A feira é ao ar livre, funciona todos os domingo, se algum de vocês forem comprar algo lá ou desejar visitá-la, tomem cuidado com os batedores de carteira e não se assustem se ouvirem tiros, isto é normal na Baixa do Fiscal.